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25 agosto 2009

A importância da hierarquia das idéias e da releitura

Gostaria de refletir um pouco sobre o processo de escrita que estamos conversando desde o inicio da oficina. Um blog é feito de textos, então, hoje enfatizo para os nossos futuros blogueiros e os veteranos na arte de blogar, que para escrever um post, é importante que vocês selecionem e hierarquizem algumas idéias. Esse processo pode se dar de várias formas:

• através de anotações independentes, à medida que as idéias vão surgindo;
• escrevendo tudo que vem à mente;
• listar palavras-chave;
• construir logo o primeiro parágrafo, provisório;
• partir de uma idéia principal e elaborar um esquema;
• partir de um pequeno resumo ou escrever blocos independentes.

Qualquer um desses procedimentos e outros que você pode criar sozinho podem funcionar como início da escrita propriamente dita.

Quando o redator tem clareza sobre as especificidades de cada trecho do seu texto, as possibilidades de construção tornam-se mais nítidas e o trabalho alcança um resultado melhor, por isso a releitura do texto é tão importante.

Muitas vezes a primeira versão de um texto não é muito satisfatória. Então é necessário relê-la não com olhos de autor, mas de leitor. Tentar descobrir o que o leitor compreenderia do texto e quais pontos obscuros, ambíguos ou confusos merecem reestruturação. Para que o autor fique satisfeito com seu próprio texto, esse trabalho é imprescindível. No processo de releitura você poderá:

• enfatizar as idéias principais;
• reordenar informações;
• substituir idéias inadequadas;
• eliminar idéias desnecessárias;
• desfazer incoerências;
• estabelecer hierarquia entre as idéias.
• criar um vínculo maior entre as idéias;

Sugestões para que isso ocorra?

• Acrescentar palavras ou frases;
• eliminar palavras ou frases;
• substituir palavras ou frases;
• conhecer os conectivos e saber utilizá-los;
• mudar alguns elementos estruturais de lugar e reagrupar de forma diferente.

Independentemente de cada opção, o autor deverá perceber como procede durante a escrita, para explorar melhor e com mais consciência seus procedimentos pessoais, tanto para aperfeiçoá-los quanto para transformá-los na prática. Não existem fórmulas prontas ou dicas perfeitas. Será uma luta constante consigo mesmo.

Abraço,

Mafuane.

04 março 2009

Criando a energia para escrever

"Os seres humanos sentem uma profunda necessidade de representar sua experiência neste mundo através da escrita. Necessitamos tornar nossas verdades bonitas. Com pictografias rudimentares, os homens das cavernas escreveram sua história nas paredes de pedra de suas 'casas'. Com canetas luminosas, esferográficas, batom e lápis, as criancinhas deixam suas marcas nas paredes dos banheiros, no verso de velhos envelopes, no dever de casa de sua irmã mais velha. Em letras trêmulas e vagarosas, os velhos e os doentes de nossos asilos e hospitais imprimen suas vidas no papel. Não existe uma linha de ação, na estonteante complexidade de nossas vidas, senão aquela que descobrimos e planejamos para nós mesmos. Articulando a experiência, chamamos direitos sobre elas.
Escrever permite que transformemos o caos em algo bonito, permite que emolduremos momentos selecionados em nossas vidas, faz com que descubramos e celebremos os padrões que organizam nossa existência.
É por isso que Anne Morrow Lindberg diz: 'Devo escrever. Devo escrever de qualquer modo. A escrita é mais do que a vida: ela é a tomada de consciência de que estamos vivos'."

(CALKINS, Lucy M. Criando a energia para escrever. In: A arte de ensinar a escrever. 1ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.)